Por Ival Saldanha.
Domingo à tarde deitado na minha rede assistindo a vitória da Seleção Brasileira diante do Peru por 3 a 1, sagrando-se Campeã da Copa América 2019, e ver toda aquela gente bonita e de cabelos loiros nas arquibancadas daquela linda Arena Maracanã que só aparece em jogos de uma Copa do Mundo, gritando e tirando selfies nos seus celulares modernos, um pensamento rolava paralelamente ao jogo na minha cabeça diante daquele público cuja renda divulgada bateu recorde com um público pagante de 58.584 pessoas, e a receita total arrecadada sendo de R$ 38.769.850 milhões, o que significa que o ticket médio de entrada no Maracanã foi de cerca de R$ 661.00. R$ 661.00 repito, o que significa que o povão praticamente não tem mais direito de assistir a um jogo da Seleção ao vivo. E esse pensamento que rolava na minha cabeça enquanto a bola também rolava em campo, foi o de que, infelizmente nossa espécie que não mais pode ir a um campo de futebol inclusive, está adoecendo coletivamente dia após dia. Adoecendo nem sempre por doenças clássicas, como a depressão, a síndrome do pânico, as fobias, mas pela solidão, pela segregação, por uma quase marginalização, pela falta falta de solidariedade, esperança, pela crise do diálogo, pela incapacidade de contemplação do belo como um bom jogo de futebol, pela vida estressante, pelo individualismo. O futebol estar deixando de ser o esporte do povo. O povão já não estar mais tendo direito a ir a uma Arena de Futebol. O esporte que um dia já foi chamado de mais popular do Brasil, já não é assim tão popular.


0 Comentários