ERAM TODOS IGUAIS: O DIA QUE SUPOSTAMENTE O TIME DA COREIA DO NORTE TROCOU TODOS OS JOGADORES NO SEGUNDO TEMPO, NA COPA DO MUNDO DE 1966!

Por Felipe Mathias

Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. A Itália entra em campo como a toda-poderosa bicampeã, aquele time que exala confiança, arrumadinho, com o peito estufado de quem já sabe o caminho do título.

Do outro lado? A Coreia do Norte. Um time que veio de um país tão isolado e misterioso que, para os italianos, eles pareciam ter saído de outro planeta. Ninguém sabia quem eram, como jogavam ou sequer como tinham chegado ali. Para a Itália, o jogo era só uma brincadeira no parque antes das próximas fases.

​O jogo começou e, conforme o tempo passava, a Itália não conseguia furar o bloqueio. Enquanto isso o time asiático corria como se tivesse um pulmão extra. Aos 42 minutos do primeiro tempo, Pak Doo-ik, um nome que se tornaria pesadelo na Itália, disparou um chute cruzado e balançou as redes. O estádio veio abaixo. Coreia 1, Itália 0.

Quando o apito final do primeiro tempo soou e os times se recolheram para os vestiários, lá dentro, a história ganhava contornos de filme de espionagem. Os italianos, ainda atônitos com a derrota parcial, começaram a notar algo que desafiava a lógica.

​De repente, o vestiário da Coreia do Norte virou o cenário de um "troca-troca" que deixou os italianos de queixo caído. Eles juravam que, pelos cantos e frestas, viam os titulares da Coreia — visivelmente exaustos, suados e ofegantes após a correria frenética dos primeiros 45 minutos — passando suas camisas para um grupo de reservas que aguardava ali, com o uniforme impecável e o fôlego intacto.

​Foi um caos. Os jogadores italianos se cutucavam, apontando para o adversário:
​— “Olha ali! Aquele não estava morto de cansaço há cinco minutos? Como ele está correndo desse jeito agora?”
— “Não, não, aquele é outro!”

A indignação tomava conta de todo o time. Os italianos ficavam encarando os norte-coreanos, tentando comparar rostos, trejeitos e cortes de cabelo: "Não são os mesmos!".

​Inconformados com a suposta fraude, os jogadores italianos correram desesperados em busca da arbitragem e dos cartolas da FIFA.

​— “Ei, vocês não estão vendo? Eles trocaram o time inteiro! Estão todos trocados!”, gritavam, apontando freneticamente para os coreanos que, alheios à confusão, se aqueciam para o segundo tempo.

​A FIFA, por sua vez, ficou totalmente confusa. Os oficiais olhavam para aqueles onze asiáticos, depois olhavam para a prancheta, depois olhavam para os jogadores italianos quase tendo um colapso nervoso, e simplesmente não sabiam o que fazer.

Oficialmente, apenas os reservas autorizados poderiam entrar em campo. Mas como fiscalizar isso se, para os europeus, aqueles jogadores pareciam todos iguais? A FIFA não conseguia confirmar a troca, mas também não tinha como provar o contrário. Sem saber quem era quem, os cartolas deram de ombros e deixaram o circo pegar fogo.

​No segundo tempo a derrota da Itália por 1 a 0 foi selada e a Coreia do Norte seguiu fazendo história, avançando até as quartas de final, onde, num jogaço contra o Portugal de Eusébio, chegou a abrir 3 a 0 antes de levar a virada por 5 a 3.

Enquanto os coreanos voltavam celebrados como heróis, a Itália desembarcava sob uma chuva de tomates, cortesia de torcedores enfurecidos com a eliminação precoce diante da desconhecida Coreia do Norte.

​Passaram-se décadas, e os jogadores daquela seleção italiana nunca mudaram o discurso. Em cada entrevista, em cada encontro de veteranos, eles mantêm a versão: eles não perderam para um time de futebol, mas foram vítimas de uma substituição clandestina que a FIFA nunca teve coragem de assumir.

Se foi uma artimanha digna de filme de espionagem ou o efeito colateral de um orgulho ferido que precisava de uma explicação mirabolante, nunca saberemos. Mas que essa dúvida deu uma temperada eterna àquela Copa, ah, isso deu.


FonteFOTOS E VÍDEOS ANTIGOS





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