Por Carlos Felício
Enquanto eles escreveram a própria história em campo, o Brasil passou mais de duas décadas assistindo aos outros levantarem a taça. Eles disputaram três finais de Copa do Mundo em 12 anos. Nós passamos 24 anos sem sequer sentir o cheiro de uma final.
O Brasil não assusta mais ninguém. A camisa que antes fazia adversários tremerem hoje serve apenas para alimentar documentários sobre um passado glorioso. O respeito foi substituído pela nostalgia.
As cinco estrelas continuam bordadas no peito, mas cada fracasso faz com que elas pareçam menos um símbolo de grandeza e mais uma desculpa para esconder a decadência. Vivemos repetindo "somos pentacampeões" porque o presente não oferece absolutamente nada para ser celebrado.
O torcedor brasileiro virou espectador da própria ruína. Já não sonha em ser campeão; passa a Copa torcendo para Argentina, França, Espanha ou qualquer outra seleção perder, porque sabe que o Brasil dificilmente chegará longe.
E talvez essa seja a maior humilhação de todas: o maior país da história do futebol deixou de ser protagonista e passou a viver de lembranças. Para uma geração inteira, Pelé, Romário, Ronaldo e Ronaldinho são apenas vídeos antigos. O futebol brasileiro virou um museu, e o ingresso custa caro demais: abrir mão de aceitar que o gigante morreu faz tempo.

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