TEM BOLA NO FREVO
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Em Pernambuco, o Carnaval irá, pelo menos, até o fim da semana, pois há muito tempo se deixou de encerrar a festa com a chegada da Quarta-Feira de Cinzas. Este resto de período regido pelo Rei Momo correrá paralelamente com a rodada que apontará entre Náutico, Retrô, Santa Cruz e Sport os dois finalistas do Campeonato Pernambucano de Futebol, edição 2026.
Como os bacalhaus, munguzás e os enormes estampidos dos instrumentos metálicos demonstrarão a resistência dos foliões, ainda temos algo a falar sobre alguns frevos feitos para engrandecer o chamado Trio de Ferro, composto pelo Náutico, Santa Cruz e Sport. Trazemos produções do quarteto que aparece na foto: Aldemar Paiva e Edvaldo Pessoa, os dois alvirrubros que estão nas extremidades; João Valença, tricolor que, com o irmão Raul, fazia a célebre dupla Irmãos Valença, e Jovino Falcão, rubro-negro que morreu prematuramente.
EDVALDO E SEU TIMBU
Como os bacalhaus, munguzás e os enormes estampidos dos instrumentos metálicos demonstrarão a resistência dos foliões, ainda temos algo a falar sobre alguns frevos feitos para engrandecer o chamado Trio de Ferro, composto pelo Náutico, Santa Cruz e Sport. Trazemos produções do quarteto que aparece na foto: Aldemar Paiva e Edvaldo Pessoa, os dois alvirrubros que estão nas extremidades; João Valença, tricolor que, com o irmão Raul, fazia a célebre dupla Irmãos Valença, e Jovino Falcão, rubro-negro que morreu prematuramente.
EDVALDO E SEU TIMBU
Edvaldo Pessoa foi um dos criadores do maracatu Timbu Coroado, que se tornou frevo-canção e nome do bloco que todo domingo de Momo sai pelas ruas do bairro dos Aflitos, arrastando uma grande multidão. O fenômeno voltou a acontecer agora, em 15 de fevereiro, e o evento contou com a presença do grande ídolo da música pernambucana, Claudionor Germano, 92 anos. Ele é o maior intérprete da música surgida na garagem de remo do Náutico.
O objetivo de Evaldo e de seus companheiros remadores do Timbu, Jair Raposo e Carioca, ao lançarem a música na década de 30 do século passado era mexer com os remadores do Sport, que se juntavam à turma do célebre maracatu Leão Coroado, fundado em 1863, sendo o mais antigo em atividade ininterrupta no Brasil.
A timbuzada queria dar uma chacoalhada nos adversários, o que realmente conseguiu. De vez em quando o pau comia quando alvirrubros e rubro-negros se encontravam no desfile no centro da cidade. A letra não deixa de ser uma provocação. Vejamos:
O nosso bloco é mesmo infezado (sic)
É o timbu, é o Timbu Coroado
Desde cedinho já está acordado
É o timbu, é o Timbu Coroado
II
Entre no passo, que esse passo é de amargar
Essa turma é mesmo boa e no frevo quer entrar
Não queira bancar o tatu
Eu conheço seu jeito, você é timbu
III
Esse negócio de casá, casá, casá
É conversa pra maluco
Ninguém quer se amarrar
Timbu sabe isso de cor
Casar pode ser bom
Não casar é melhor.
INSPIRAÇÃO DO ÍDOLO LACRAIA
Durante muito tempo, João e Artur Valença formaram a célebre dupla Irmãos Valença, com uma forte presença no cancioneiro pernambucano, principalmente no Carnaval. Teu Cabelo não Nega, composta por eles, inicialmente com o nome de Mulata, custou um processo durante muitos anos contra o famoso Lamartine Babo.
“Ele apossou-se de nossa música, fez algumas alterações e gravou com o nome de Teu Cabelo não Nega, como se fosse sua”, alegavam os Valença.
Os irmãos ganharam a questão, e o nome da dupla passou a aparecer nos discos, junto com o de Lamartine. A dupla compôs até 1977, quando Raul morreu. João faleceu em 1983, portanto, seis anos depois do irmão.
Apaixonados pelo Santa, baseados numa cançoneta de Teófilo Batista de Carvalho, o centromédio Lacraia, dos primeiros anos do clube, recentemente considerado fundador da Cobra Coral, os Valença, de cuja verve saiu o hino oficial do Santa Cruz, compuseram o “Papa Taças”, frevo-canção destinado a louvar o Tricolor.
Quem é que quando joga
A poeira se levanta
É o Santa, é o Santa
Escreve pelo chão
Faz miséria e não se dobra
É a cobra, é a cobra
É sem favor o maioral
O tricolor, a cobrinha coral
O mais querido timão das massas
Por apelido o papa-taças”
Quem é que quando joga
A poeira se levanta
É o Santa, é o Santa
Escreve pelo chão
Faz miséria e não se dobra
É a cobra, é a cobra
É sem favor o maioral
O tricolor, a cobrinha coral
O mais querido timão das massas
Por apelido o papa-taças”
ENCANTAMENTO
Ainda caminhando pelo passado vamos encontrar “Timbuate”, do conhecido radialista alagoano Aldemar Paiva. Possuidor de imensa popularidade, principalmente por causa da imensa popularidade de seu programa radiofônico Pernambuco Você é Meu, Dema, como era tratado pelos mais íntimos, criou a letra, o maestro Luiz Caetano musicou e Claudionor Germano gravou, na década de 50:
Timbu, no céu, no lar
Timbu, meu sol, meu ar
Ene-a-u-tê-i-cê-o
Sou de verdade teu fã
Mais do que ontem
Menos que amanhã
II
Timbuate é um sonho
Encantamento
Carnaval, delícia de cores
Movimento
Ene-a-u-tê-i-cê-o
Sou nos esportes teu fã
Sou nos esportes teu fã
Mais do que ontem
Menos que amanhã
Timbu no céu no lar
Timbu, meu sol, meu ar
Timbu, no céu, no lar
Timbu, meu sol, meu ar
Ene-a-u-tê-i-cê-o
Sou de verdade teu fã
Mais do que ontem
Menos que amanhã
II
Timbuate é um sonho
Encantamento
Carnaval, delícia de cores
Movimento
Ene-a-u-tê-i-cê-o
Sou nos esportes teu fã
Sou nos esportes teu fã
Mais do que ontem
Menos que amanhã
Timbu no céu no lar
Timbu, meu sol, meu ar
O MAIS AMADO
Em 1974, o Sport ganhou, na versão estadual, um concurso promovido pela revista Placar, em parceria com o Diário de Pernambuco para se saber qual o time de maior torcida. Os rubro-negros cerraram fileiras, comprando quilos e mais quilos de jornais velhos para colocar os cupons nas urnas. O falecido Jovino Falcão, um dos fundadores do Bafo do Leão, primeira torcida organizada do Sport, não deixou a oportunidade passar, fazendo o frevo-canção “O Mais Querido”:
Está comprovado
Já foi conferido
Que o mais amado
O mais amado é que é, é que é
É o mais querido
II
É ele o maior em nosso Estado
Destaca-se do remo ao futebol
É o consagrado campeão do Norte
O mais querido, o mais querido
É o nosso Sport


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