Tem Bola no Frevo (3)-Lenivaldo Aragão


                NELSON DE TODAS AS CORES



Por Lenivaldo Aragão

Como já foi dito nesta série, o sempre festejado maestro e compositor Nelson Ferreira, torcedor moderado do Santa Cruz ao contrário do explosivo Capiba, louvou o seu Tricolor do Arruda, em 1958, quando da conquista do primeiro supercampeonato, o de 1957 – a disputa havia passado de um ano para outro.

Vejamos a letra de “Supercampeão”, frevo-canção do tricolor Nelson Ferreira, na voz do grande ídolo da “frevologia”, Claudionor Germano, torcedor do Náutico:

“Vamos cantar com toda emoção
Um, dois, três, quatro, cinco, seis
Saudando a faixa de supercampeão
A que fez jus o mais querido Santa Cruz
II
Foram três as vitórias colossais
Juvenis, aspirantes, profissionais
Repúblicas Independentes do Arruda
Pernambuco vos saúda
Anísio, chama a torcida
Tudo pelo Santa, nosso sangue e nossa vida
III
Um, dois, três
Quatro, cinco, seis
Torcemos com prazer
Nosso lema é vencer
l

PALMAS PARA ELES

Porém, o inesquecível músico nascido na cidade de Bonito, também homenageou o Náutico e o Sport,
Como foi mencionado no capítulo 2, sobre a estreia, em terreno “inimigo”, do famoso regente e criador de um sem número de composições nos mais variados gêneros musicais, aconteceu em época longínqua. Foi em 1936, portanto, há 90 anos. Ele musicou o frevo-canção “Pelo Sport Tudo”, com letra de Sebastião Lopes, que a torcida absorveu como Moreninha – “Moreninha que estás dominando agora pelo entrudo...”
Interessante é que a música foi gravada por um alvirrubro notável, Claudionor Germano, o maior intérprete do tradicional gênero pernambucano, que nesse domingo (15) recebeu mais uma merecida homenagem do bloco Timbu Coroado, cujo hino foi também gravado por ele.
Portanto, o conhecido “Pelo Sport Tudo”, surgido da criatividade de um radialista e folclorista de muito prestígio na sua época, um apaixonado pelo Rubro-Negro, contou ainda com a musicalidade de um tricolor e com a encantadora voz de um alvirrubro. Recordemos a letra:
Moreninha que estás dominando
Desacatando agora pelo entrudo
Chegou a hora de gritares loucamente
Hip, hip, hurrah, pelo Sport tudo
Vejo no batom dos teus lábios
E no teu cabelo ondulado
As cores que dominam altaneiras, oh morena
O meu glorioso Estado
E passado o Carnaval
Para que não te falte a boa sorte, dirás
Na minha vida hei de fazer eternamente
Tudo, tudo pelo Sport
Já foi mencionada também a presença de Nelson em 1967 num frevo-canção produzido pelo radialista Ziul Matos, gravada pelo pai de santo Edu, cuja proteção era sempre solicitada pelo técnico Duque, responsável pela conquista de quatro conquistas (1964 /66 /67 /68 do hexacampeonato (1963 a 1968). Quem se lembra? Vamos lá:
Dei o bi / Dei o tri / Dei o tetra / E o penta chegou
II
Ene-a-u-tê-i-cê-o, gol / É gol, é gol, é gol / O vermelho é bravura e destemor / O branco é paz e é amor / Mas as duas cores juntas / Têm uma nova dimensão / Atenção, futebol do Brasil / Ene-a-u-tê-i-cê-o / Náutico, Náutico / Náutico é pentacampeão.
O APELO DO MENINO EUNITÔNIO

Nelson Ferreira fez dois frevos-de-rua na temática futebolística. Num, homenageou ainda o Náutico, com o Come e Dorme, em 1950. Era uma alusão ao time de reservas alvirrubro, considerado muito bom, mas os jogadores não tinham vez na equipe de cima porque os titulares, sabendo o que lhes poderia ocorrer, procuravam não dar brecha à turma de baixo. O outro frevo-de-rua é Cazá, Cazá, do Sport, tendo sido composto pouco tempo depois. do surgimento do Come e Dorme. Ambos continuam em plena evidência.
Sobre o Cazá, Cazá, o engenheiro aposentado Eunitônio Pereira, autor do hino oficial rubro-negro, – o inicialmente frevo-canção “Sport, uma razão para viver” – filho de um ex-prefeito do Recife, Antônio Alves Pereira (gestões 1947 /48 e 1951 /52(, me deu certa vez este depoimento:
– Eu era garoto. Nelson toda quarta-feira ia almoçar em minha casa. Ele tinha feito o Come e Dorme para o Náutico, então lhe pedi que fizesse um frevo para o Sport também. Alguns dias depois, ele criava o Cazá, Cazá.
Fotos: 1) Dupla de tricolores Capiba e Nelson Ferreira; 2) o alvirrubro Claudionor Germano; 3) Eunitônio Pereira, (Arquivo e Reprodução)
A seguir, até o Rei Pelé mereceu frevo




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