O DIA EM QUE O GAROTO PELÉ SALVOU A PÁTRIA
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Na Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez, testemunhei um episódio simples e banal, que mostra como age o torcedor nos momentos de aflição.
Eu ainda praticamente imberbe dava os primeiros passos na profissão. Era cupincha, o equivalente ao foca de hoje. Trabalhava na saudosa Rádio Clube de Pernambuco, na Avenida Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro. O departamento esportivo tinha no seu comando o baiano de Ilhéus, Luiz Cavalcante. Tempos de astros da radiofonia pernambucana, como o humorista recifense, de gene paraibana, Luiz Queiroga, casado com a cantora Meves Gama, esta, sim, paraibana. O alagoano Aldemar Paiva, com seu imbatível “Pernambuco, Você é Meu – o programa dos pernambucanos ausentes e saudosos” dominava a audiência matinal e mais, só para citar alguns, César Brasil – o famoso Zé Bruta, Djalma Torres (...“me dê a papada”), José Santa Cruz, o oficial de Um Recruta em Apuros, que estava sempre criando missões estapafúrdias para o soldado (Queiroga) que o acompanhava, Albuquerque Pereira, Luiz Maranhão, pai e filho, Rosa Maria, Mercedes del Prado e por aí vai. Época do conjunto regional composto pelo quinteto China, Neco, Pai do Mato, Jacaré e Gruvião, e Os Três Boêmios. Este trio gravou uma homenagem ao primeiro título mundial conquistado pela Seleção Brasileira, simbolizada pela célebre batucada “Escola de Feola”, em selo Mocambo, da Fábrica de Discos Rozenblit, com letra de Luiz Queiroga, música de Nelson Ferreira e acompanhamento da Orquestra Mocambo. Fez um grande sucesso, posto que pouco tempo depois de o Brasil dar a volta olímpica, a música já estava sendo levada ao ar pelas emissoras de rádio pernambucanas:
“Didi, Pelé, Vavá
Bailaram lá na Europa
E a Copa vem pra cá
(no duro)
Gilmar, De Sordi e Belline
Famoso trio final
Fizeram do meu Brasil
O Campeão Mundial
Zagallo, Zito, Garrincha
Nilton Santos e Orlando
São os campeões do mundo
Que o Brasil está saudando
(Cinco a dois)
Obs.: a música já estava gravada, faltando apenas colocar o placar. Como De Sordi foi substituído de última hora por Djalma Santos, mas havia participado dos demais jogos, os produtores resolveram deixar o u-disco como estava.
Televisão no Centro-Sul ainda engatinhava. Por aqui levaria dois anos para aparecer. Em todo o País, Copa só por via radiofônica. Nossas Rádios Clube e Jornal retransmitiam as narrações da Tupi e Bandeirantes, respectivamente.
O Brasil estava nas quartas de final e encontrava muitas dificuldades diante do País de Gales, depois de ter passado pela Áustria (3 x 0), Inglaterra (0 x 0) e Rússia (2 x 0). Contra os russos houve a estreia de Pelé, com 17 anos, na Seleção.
Agora no confronto Brasil x Gales, o tempo passava, e na sala de escuta da Clube, com gigantescos receptores, gente entrava e saía na inquietação que a partida causava. Milton Rodrigues, integrante do elenco de cantores da emissora, jogava seu nervosismo em cima do garoto nascido na mineira Três Corações e criado na paulista Bauru. “Se já era difícil, ainda mais agora que botaram esse tal de Pelé pra jogar”, dizia Milton a mim e aos narradores Vicente Lemos e Antônio Menezes deixou. De repente, gol do Brasil. Sabem de quem? De Pelé. A Pátria estava salva. Não me lembro como foi a reação de Milton Rodrigues.
Numa das inúmeras narrativas da imprensa foi publicado: “O gol da vitória foi antológico de Pelé, que após passe de Didi aplicou um lençol em Mel Charles e finalizou.”
Muitos anos depois, numa entrevista à Rede Globo, o Rei do Futebol disse: “Foi um dos gols mais importantes da minha carreira. Ali, eu fiquei com confiança, tive a certeza que era o titular da Seleção Brasileira".
Eu ainda praticamente imberbe dava os primeiros passos na profissão. Era cupincha, o equivalente ao foca de hoje. Trabalhava na saudosa Rádio Clube de Pernambuco, na Avenida Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro. O departamento esportivo tinha no seu comando o baiano de Ilhéus, Luiz Cavalcante. Tempos de astros da radiofonia pernambucana, como o humorista recifense, de gene paraibana, Luiz Queiroga, casado com a cantora Meves Gama, esta, sim, paraibana. O alagoano Aldemar Paiva, com seu imbatível “Pernambuco, Você é Meu – o programa dos pernambucanos ausentes e saudosos” dominava a audiência matinal e mais, só para citar alguns, César Brasil – o famoso Zé Bruta, Djalma Torres (...“me dê a papada”), José Santa Cruz, o oficial de Um Recruta em Apuros, que estava sempre criando missões estapafúrdias para o soldado (Queiroga) que o acompanhava, Albuquerque Pereira, Luiz Maranhão, pai e filho, Rosa Maria, Mercedes del Prado e por aí vai. Época do conjunto regional composto pelo quinteto China, Neco, Pai do Mato, Jacaré e Gruvião, e Os Três Boêmios. Este trio gravou uma homenagem ao primeiro título mundial conquistado pela Seleção Brasileira, simbolizada pela célebre batucada “Escola de Feola”, em selo Mocambo, da Fábrica de Discos Rozenblit, com letra de Luiz Queiroga, música de Nelson Ferreira e acompanhamento da Orquestra Mocambo. Fez um grande sucesso, posto que pouco tempo depois de o Brasil dar a volta olímpica, a música já estava sendo levada ao ar pelas emissoras de rádio pernambucanas:
“Didi, Pelé, Vavá
Bailaram lá na Europa
E a Copa vem pra cá
(no duro)
Gilmar, De Sordi e Belline
Famoso trio final
Fizeram do meu Brasil
O Campeão Mundial
Zagallo, Zito, Garrincha
Nilton Santos e Orlando
São os campeões do mundo
Que o Brasil está saudando
(Cinco a dois)
Obs.: a música já estava gravada, faltando apenas colocar o placar. Como De Sordi foi substituído de última hora por Djalma Santos, mas havia participado dos demais jogos, os produtores resolveram deixar o u-disco como estava.
Televisão no Centro-Sul ainda engatinhava. Por aqui levaria dois anos para aparecer. Em todo o País, Copa só por via radiofônica. Nossas Rádios Clube e Jornal retransmitiam as narrações da Tupi e Bandeirantes, respectivamente.
O Brasil estava nas quartas de final e encontrava muitas dificuldades diante do País de Gales, depois de ter passado pela Áustria (3 x 0), Inglaterra (0 x 0) e Rússia (2 x 0). Contra os russos houve a estreia de Pelé, com 17 anos, na Seleção.
Agora no confronto Brasil x Gales, o tempo passava, e na sala de escuta da Clube, com gigantescos receptores, gente entrava e saía na inquietação que a partida causava. Milton Rodrigues, integrante do elenco de cantores da emissora, jogava seu nervosismo em cima do garoto nascido na mineira Três Corações e criado na paulista Bauru. “Se já era difícil, ainda mais agora que botaram esse tal de Pelé pra jogar”, dizia Milton a mim e aos narradores Vicente Lemos e Antônio Menezes deixou. De repente, gol do Brasil. Sabem de quem? De Pelé. A Pátria estava salva. Não me lembro como foi a reação de Milton Rodrigues.
Numa das inúmeras narrativas da imprensa foi publicado: “O gol da vitória foi antológico de Pelé, que após passe de Didi aplicou um lençol em Mel Charles e finalizou.”
Muitos anos depois, numa entrevista à Rede Globo, o Rei do Futebol disse: “Foi um dos gols mais importantes da minha carreira. Ali, eu fiquei com confiança, tive a certeza que era o titular da Seleção Brasileira".


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